Entrevista: Pedro Barbosa, líder do PSD de Penacova, considera que o seu partido se assume como alternativa de confiança ao poder instalado

0
859

Penacova Actual (PA): Foi eleito presidente da Comissão política do PSD de Penacova em 2018. Desde então o que fez para que o PSD de Penacova, conseguisse acreditar que é uma verdadeira alternativa política ao PS de Penacova?

Luís Pedro Barbosa Antunes (PB) : O PSD de Penacova assume-se sem dúvida como alternativa de confiança. Desde que estamos na oposição temos mostrado que podem confiar em nós.

Os nossos eleitos contrariamente ao que o PS diz que somos do “bota abaixo” tem sempre demonstrado uma atitude responsável na defesa superior dos interesses dos Penacovenses. Vota a favor quando tem que votar e sempre que achamos que o rumo não é o mais correto tomamos a nossa posição e nessas circunstâncias vimos publico dar nota que as politicas seguidas não vão no bom caminho.

Fizemo-lo na defesa da transparência do processo APIN, na necessidade de alargamento da rede de saneamento, na necessidade melhorar e conservar a rede viária, em matéria de politica fiscal concelhia (IMI), no reforço das medidas de apoios às famílias e empresas em contexto de pandemia, na defesa do comércio local entre muitas outras coisas.

Apresentamos propostas que infelizmente raramente mereceram o acolhimento de quem governa.

O PS de Penacova acusa o desgaste de um ciclo de governação e as promessas não cumpridas, que nalguns casos que se arrastam por sucessivos mandatos, encarregam-se de mostrar a sua credibilidade.

Da parte do PSD encontramo-nos mobilizados para vencer as eleições autárquicas.

Assumimo-nos, sem dúvida, como alternativa de confiança e estamos mobilizados. A nossa aposta é apresentar às próximas eleições os melhores candidatos e os melhores projetos, para poder ganhar a confiança dos Penacovenses.

PA: Como encara a atuação do Município de Penacova na gestão dos efeitos da pandemia Covid-19, designadamente no apoio às famílias, ao comércio local e às indústrias do concelho?

PB: Ninguém estava preparado para enfrentar uma calamidade deste tamanho. Nesta matéria temos estado do lado da solução e ser solidários. Temo-lo feito sem reservas.

Acho que houve boa interligação entre as forças envolvidas no combate à pandemia (Autoridade de Saúde Local, Bombeiros, Proteção civil e Ação Social, IPSS, GNR).

Obviamente é um processo de aprendizagem diário e algumas podiam ter corrido melhor nomeadamente em matéria de comunicação com os munícipes.

No apoio às famílias penso que tem havido uma resposta solidária que extravasa até a própria câmara. Foi criada uma linha de apoio por parte do município para as pessoas que mais precisam de apoio.

Quanto ao comércio local tem que ter apoios reforçados pelo menos os setores mais afetados e rapidamente pois amanhã pode ser tarde! O conceito de comércio local em Penacova está subvertido pois às vezes pensa-se que estamos só falar da vila (porventura até será um dos locais mais afetado do concelho) mas o comercio local tem que ser visto numa perspetiva global e à escala de concelhia, pois todos contam.

Quanto às empresas foram criadas linhas de apoio por parte do Estado, o problema é que tardam a chegar ao terreno. No caso do apoio às empresas, há municípios muito mais assertivos e à nossa frente, em matéria de medidas de apoio.

PA: Quando o partido que lidera se refere à falta de investimento no concelho por parte do executivo camarário, a que setores se referem exatamente?

PB: Dou exemplos:

Na área empresarial, no alargamento da rede de saneamento, na beneficiação da rede de estradas, na própria frota municipal (p.e. autocarros em fim de vida), etc…

Na Área Empresarial da Alagoa não há um espaço para instalar uma empresa!

É de uma falta de visão e de estratégia isto ter acontecido. Eu próprio em sucessivas reuniões há vários anos tenho vindo a alterar para esta situação.

Só há uns meses é que fizeram o cadastro para começar o processo de aquisição de terrenos e expropriação que demorará vários anos até que haja terrenos disponíveis. Isto não podia ter acontecido!

Tenho pena que a politica empresarial em Penacova não seja efetiva. Lembro que era uma crítica às ultimas governações do PSD. Neste particular o PS também deixou muito a desejar.

A rede de estradas municipais está a ficar num estado lastimável.

A rede de saneamento está praticamente como foi deixada há 11 anos. Carvoeira não foi terminada, Telhado, Chelo, Chelinho e Sobral continuam por ligar à rede. À exceção de Travanca anda foi acrescentado.

Muito pouco para 3 mandatos!

PA: Na sua perspetiva o concelho de Penacova está mais coeso do que há 12 anos, ou aumentou as suas assimetrias?

 PB: Aumentaram as assimetrias.

Penacova só não piorou mais graças à sua boa localização geográfica na interface regional, ainda assim perdeu nos últimos 10 anos cerca de 1500 habitantes. Obviamente que isto não é um problema só de Penacova é um problema da região e de Portugal, mas não deixa de ser preocupante.

Soube, há poucos dias, que num concelho vizinho graças à instalação de empresas andam a comprar casas devolutas, nas aldeias circunvizinhas às instalações, para as reconstruirem para e ali fixaram os seus trabalhadores.

Bem sei que em Penacova não poderemos ser um concelho empresarial de eleição, até porque a orografia do concelho não o permite, mas muito mais poderia ter sido feito. Disso não tenho a menor dúvida. Era uma área de que esperava melhor desempenho.

Sem empresas não há fixação de pessoas.

Se houvesse um ranking em termos de assimetrias e não tenho dúvidas que teríamos perdido umas largas posições.

PA: Recentemente o PSD de Penacova manifestou-se contra à aprovação do orçamento camarário para o ano de 2021, alegando que não reflete as opções políticas do seu partido. Se fosse poder em Penacova, quais seriam as prioridades do PSD para investir no concelho?

PB: O orçamento de 2021 foi construído numa perspetiva de que a APIN veio para ficar. Relembro que existe uma decisão da Assembleia Municipal do dia 17.03.2020 que confirma a saída a APIN. Assim, não percebemos por que é que o orçamento é todo construído nessa perspetiva de manutenção do município na APIN. Já passaram 8 meses sobre esta decisão, sem evolução.

Essa assunção, leva-nos a concluir a que a câmara em 2021 não será novamente a gestora do sistema como foi divulgado. A própria rubrica do orçamento “Venda de Bens e Serviço Correntes” pág. 26, confirmar claramente “a faturação é efetuada pela APIN, E.I.M, SA”.

Só esta matéria era motivo para votarmos contra pois viola uma decisão tomada e amplamente divulgada. Sabemos que há tramites legais a tratar mas eles tem sido sistematicamente relegados para 2º plano por tacticismo politico.

Mas ainda em relação ao orçamento, quando votamos contra um orçamento não quer dizer que estejamos contra tudo o que nele consta.

As várias medidas que constam do orçamento não são votadas de forma individualizadas contrariamente ao que o PS quis trazer para a opinião publica.

Nesta fase da nossa vida, em plena pandemia, obviamente que não podemos ficar indiferentes aos condicionalismos da conjuntura económica e social. Cabe ao município, no seio das suas atribuições por em marcha ações que permitam corrigir assimetrias reforçando a coesão territorial e promovendo o desenvolvimento integrado e sustentado.

Nesta particular estaremos sempre do lado da solução é o que posso dizer.

Lembro que o orçamento ainda não passou na Assembleia Municipal por isso vai ser amplamente discutido, por isso não me quero alargar mais em considerações, por respeito com a própria Assembleia Municipal.

PA: Quanto à gestão dos dinheiros públicos, o seu partido considera que a gestão socialista do município de Penacova irá hipotecar o futuro e a qualidade de vida dos Penacovenses. Quais seriam as opções corretas que, na perspetiva do seu partido, deveriam ser consideradas na gestão dos dinheiros públicos?

PB: Consideramos que são várias, mas as mais importantes são: a necessidade de fixação de empresas; a ampliação da rede de saneamento; a melhoria das estradas e o apoio às famílias e as empresas de forma seletiva e criteriosa e o turismo.

Numa época em que os escritórios, para algumas áreas profissionais, podem ser feitos em nossas casas é inaceitável que as rede móveis e a fibra ótica não tenham uma cobertura ampla e robusta em todo o concelho. Isto por si, poderia ser um fator diferenciador. Tem que haver uma estratégia concertada por parte da câmara e das autoridades intermunicipais para junto do poder politico central olharem para isto de uma nova forma.

Face à pandemia, foram criadas ferramentas que vieram para ficar. O mundo laboral vai ser diferente no futuro próximo e o concelho tem que estar preparado para a nova realidade. Esta situação poderá contribuir para fixar as pessoas, algumas com qualificações que quando saem dificilmente regressam.

PA: Relativamente ao turismo no concelho de Penacova, é notório que houve um investimento em melhorar imagem do concelho por parte da autarquia socialista, ainda assim considera que esse investimento ficou aquém das expectativas, já que permanecem por requalificar outros locais de interesse turístico no concelho?

PB: Em termos turismo de natureza houve alguma projeção de Penacova, acho que é uma matéria para continuar a apostar, pois há muito para fazer, nomeadamente na retenção dos turistas que é um trabalho para fazer em rede com a região.

Em termos de turismo cultural gostava de ter visto um melhor aproveitamento do potencial do Mosteiro de Lorvão.

Lorvão tem que se posicionar como sendo a chave da nossa aposta cultural.  É inaceitável que museu onde já se gastaram pela administração central uns milhões continue por abrir.

Entre muitas coisas Lorvão deu ao mundo o Apocalipse de Lorvão, um livro datado do século XII, inscrito como Memória do Mundo da UNESCO! Temos que saber aproveitar esse legado.

PA: Qual é a posição do PSD quanto à atuação do município de Penacova na requalificação do Mosteiro de Lorvão?

PB: O museu tem que ser aberto com a maior brevidade!

A concessão da parte do antigo hospital para hotel já todos percebemos que não vai ser uma realidade, ainda assim o governo teimou e colocou o antigo hospital na lista de património a concessionar. Depois de duas ou três prorrogações de prazos, o candidato que ganhou não apresentou os documentos e agora espera-se que o segundo concorrente (e ultimo) faça o mesmo. Já todos tínhamos percebido mesmo antes da pandemia que seria este o fim. O problema é que com isto já passaram meia dúzia de anos… A solução que foi apresentada em tempos que passava pela criação de uma Unidade de Cuidados Continuados, teria sido uma boa opção sem dúvida.

Quanto ao Museu, há que continuar a lutar pois é de extrema importância para Penacova, região e País que esse museu seja aberto e nos mostre todo o seu espolio, muito do qual vem desde o inico da nossa nacionalidade.

PA: As obras do IP3 continuam sem fim à vista. O seu partido considera que o “arrastar” da requalificação daquele itinerário principal se justifica, ou considera que o atraso na sua conclusão se justifica e não poderia ser abreviado?

PB: O IP3

A empreitada em curso está com atrasos brutais e temo que mesmo que depois de concluída haja um troço dentro da área remodelada que não fique concluído, como seja a consolidação dos taludes na zona da livraria do Mondego.

Numa via onde passam mais de 15000 mil viaturas diárias deveriam ter sido previstos trabalhos noturnos. É o que se faz, por exemplo, nas autoestradas, algumas como menos movimento do que o IP3, para minimizar os transtornos.

Muito se anunciou pouco se fez. Neste momento, já deveríamos andar a falar na duplicação do IP3 nos restantes troços.

Em termos turísticos a Figueira da Foz era o destino dos espanhóis. Deixou de o ser, passaram a ser as praias da região de Aveiro.

A requalificação do IP3 tem que ser complementada com outas vias pois para a região Centro e nomeadamente para o Eixo Coimbra/ Beira Serra creio que já não cumpre o desiderato. A centralidade passou a ser feita pela A25, dadas as parcas condições de segurança.

Coimbra só teve a perder por ter um IP3 assim durante tempo a mais e assim continuará!

Tanto dinheiro se gastou em infraestruturas por esse País fora e não consigo perceber o porquê de não terem dado mais atenção ao IP3. Acho que Coimbra não se apercebeu que terá sido também por esse motivo que perdeu centralidade. Deveria há muito ter feito essa exigência!

PA: No que se refere ao “dossier” APIN. O PSD de Penacova sempre se manifestou contra à opção do executivo de Penacova em pertencer a uma entidade intermunicipal com a qual não se identifica, prejudicando investimentos em zonas do concelho que, de outra forma, não seriam tão prejudicadas, como é o caso da Mata do Maxial ou de Friúmes. Qual seria a opção estratégica do seu partido no que se refere à gestão da água e do saneamento para concelho?

PB: A coerência territorial da APIN deixa muito a desejar. Há concelhos dentro da APIN que drenam para o rio Tejo… Isto diz tudo.

Fala na Mata do Maxial: Há cerca de 2 anos Coimbra andou a sanear aquelas aldeias de Souselas junto ao rio Resmungão (p.e. Lagares). A ligação lógica da Mata do Maxial obviamente era a essa rede de Coimbra.

Coimbra pela sua escala e história na rede de abastecimento deveria ter sido o nosso parceiro privilegiado.

Quanto a Friúmes o problema resolve-se com a ligação ao reservatório de São Pedro Dias. Passados 11 anos, espero que esteja para breve.

Não é a agregação do sistema de águas e saneamento que me causa qualquer problema existencial. O que acho é que a agregação da forma como foi feita não foi pensada por quem conhece o território nem preparada como deve ser. Para fazer o que foi feito era preferível o Município a manter a gestão direta.

Se partimos para uma agregação diferente da que está no terreno, tem que haver um envolvimento da Comunidade Intermunicipal – Região de Coimbra, onde Coimbra deverá ter uma palavra a dizer se quiser manter a hegemonia sobre a região.

Os territórios de baixa densidade, tem custos de sistema necessariamente superiores aos das grandes cidades. Aqui o governo deveria ter uma palavra pois não faz sentido as pessoas de Lisboa, do Porto ou de Coimbra tenham esses serviços mais baratos, por razões de escala, tem que haver uma lógica de solidariedade e caminharmos para tarifas idênticas, tal como acontece noutros serviços.

PA: As eleições autárquicas realizar-se-ão no próximo ano de 2021. Por imperativo legal, o actual presidente do município de Penacova não se poderá voltar a candidatar. O PSD de Penacova encara esse facto como uma possibilidade de voltar a assumir os destinos políticos do concelho, ou não está em condições de apresentar um candidato capaz de inverter a hegemonia socialista dos últimos 12 anos?

PB: O PSD de Penacova assume-se, sem dúvida, como alternativa ao poder instalado e apresentará ao povo de Penacova um(a) candidato(a) a presidente da câmara que será com certeza merecedor da confiança do eleitorado de Penacova.

PA: Que mensagem gostaria de endereçar a todos os penacovenses, sobretudo nesta fase de tanta incerteza nas suas vidas e quando se perspetivam momentos difíceis de retoma económica provocados pela pandemia Covid-19?

PB: Nenhum de nós imaginava o que o ano 2020 nos viria a trazer: pandemia, confinamento, vírus, crise, são palavras que enchem, hoje, o nosso dia-a-dia, preenchem os espaços de notícias e ensombram com dias ainda mais duros.

Esperança, conforto, confiança e encorajamento são palavras que se impõe. Estamos, efetivamente, todos juntos nesta luta desigual, que, igualmente juntos, venceremos!

Não queria terminar a entrevista, já que estamos a entrar no calendário das festas natalícias, altura de muito simbolismo para todos nós deixar votos de um Bom Natal vivido no acolhimento do seio familiar e que o ano novo nos traga boas novas!

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui