Opinião: Penacova, a realidade por detrás “da festa”.

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Estamos a finalizar o último ano inteiro da era Humberto Oliveira/Partido Socialista na C.M. de Penacova. Em 2021 há eleições autárquicas e inicia-se um novo ciclo na governação do nosso Concelho

É portanto tempo de balanço, é hora de analisar e refletir sobre o contributo que os atuais responsáveis autárquicos Municipais, no poder desde 2009 – há quase 12 anos – deram para o desenvolvimento da nossa terra.

A honestidade impõe-nos que não digamos que foi tudo mau.

De facto nem tudo foi mal feito, e coisas houve até que foram muito bem feitas.

Mas olhando para aquilo que faz a diferença, para aquilo que realmente distingue os bons dos maus governantes, as boas das más lideranças. Olhando para os indicadores e marcas que permitem avaliar o desempenho de quem governa um Município no que se refere ao contributo para que o nosso concelho seja uma terra mais desenvolvida e melhor posicionada na região e no país, o balanço é francamente mau.

Senão vejamos:

Recentemente a “Marktest” conduziu e produziu um Estudo sobre a qualidade de vida nos municípios Portugueses, a partir de vários indicadores da maior relevância. Certo é que no índice de qualidade de vida, Penacova foi classificada em 207º, entre os Municípios Portugueses, sendo o 3º pior da CIMRegião de Coimbra, com a classificação 9 de 0 a 20, no que respeita a dinamismo económico alcança a classificação 7,5, e dinamismo demográfico 5,3.

E esta classificação é assim porque não há uma estratégia de fomento do dinamismo económico, não há uma política ambiental, uma politica de gestão do território, ou social, educativa e cultural alinhadas com o mais avançado e moderno que se faz no país e na Europa. É o resultado de uma  gestão que se basta com o imediato do dia a dia. Ao sabor da corrente, sem a mínima noção do destino, objetivo ou contributo para o futuro das novas gerações.

Recentemente a O.T.O.C. publicou anuário financeiro dos municípios portugueses: Penacova, que já foi o primeiro em termos de eficiência financeira, aparece agora abaixo dos 100 melhores. (fonte: Anuário financeiro dos Municípios Portugueses 2019)

É assim porque este executivo municipal aplica mal o dinheiro que é colocado à sua disposição, não é eficiente nem cuidadoso na sua gestão. Produz poucos resultados financeiros e económicos para o dinheiro que é colocado à sua disposição. Desperdiça recursos em despesa corrente e em iniciativas não reprodutivas, prejudicando a sutiação financeira, preciosa à resiliência e resistência do Município aos exigentíssimos desafios da recuperação desta crise brutal que atravessamos. Deixam, neste particular, o Município muito pior preparado do que o receberam.

No índice de poder de compra per capita 2017, Penacova esta no lugar 262 em 308 Municípios, com o índice 63,7, o segundo pior da CIM Região de Coimbra (só atrás da Pampilhosa da Serra), e muito longe, para pior, de todos os municípios comparáveis em dimensão e posição demográfica (fonte: Pordata).

O que representa o completo fracasso das politicas de desenvolvimento do Concelho que têm sido seguidas e a completa incapacidade para diferenciar e qualificar a economia do nosso território, atraindo e fixando quadros, promovendo e valorizando as nossas potencialidades para a criação de riqueza.

No que respeita a cobertura por sistemas de drenagem de águas residuais, também neste indicador Penacova está “na cauda”: somos o segundo pior concelho da CIMRegião de Coimbra (pior do que Penacova  só Vila Nova de Poiares) e dos 10 piores de toda a Região Centro (dados 2017), com o índice 33 de cobertura. (fonte: PORDATA).

Estes dados denotam incapacidade, falta de dinamismo, iniciativa e preocupação com o que é essencial para as populações. Praticamente nada foi feito desde 2009 em matéria de rede de saneamento, estancando um dinâmica notável do nosso concelho nesta área que vinha desde 2005.

Se verificarmos depois os dados de Penacova num sector estratégico, em que o concelho tem um enorme potencial – o Turismo – , a dados de 2019, verificamos que também aqui estamos na cauda da CIMRC, somos sempre dos 3 piores concelhos, em número de estabelecimentos de alojamento turístico, camas e dormidas, sem o menor sinal de aproveitamento da dinâmica do sector no país de 2014 até 2019.

Dados gritantes da falácia da politica Municipal para o Turismo, que a abusiva propaganda disfarça mas os números descobrem.

Se atendermos aos números dos fundos comunitários do “Centro 2020”, somos dos piores da Região em captação de fundos e de investimento. Muito atrás de concelhos vizinhos, como Mortágua, Arganil, Poiares. Por exemplo, Poiares captou quase o dobro dos fundos e investimento e Arganil mais do que duplicou os fundos e o investimento captados por Penacova.

Dados preocupantes, que dificultam a alavancagem do desenvolvimento e criação de emprego.

E por aí fora.

Nos indicadores essênciais, que aferem resultados de políticas, estamos mal, muito mal. Isto são os reais resultados que quem governou Penacova nos últimos anos tem para apresentar.

Mas não é tudo. A incapacidade, falta de visão e de ideias para o Concelho, está bem patente nos persistentes exemplos do abandono da Atalhada, da falta de solução para o Hotel de Penacova, das condições terceiro mundistas em que mantêm o mercado Municipal, do Estado das Estradas da Freguesia de Carvalho.

Mas também  na falta de iniciativa e trabalho evidenciadas no facto de não terem expandido em um metro que seja as zonas industriais, ao contrário do que fizeram nos últimos 12 anos os vizinhos de Poiares, Mortágua, Arganil, Mealhada … Na falta de solução para a museu do Mosteiro de Lorvão em que existe, desde 2013, um novo museu construído com condições para ali instalar uma unidade cultural de excelência, baseada no imenso património de Lorvão, e quem Governa Penacova, de  desculpa em desculpa, de anúncio em anúncio, nada foram capazes de fazer.

E a água de Miro? Problema elementar, sobre um bem básico para aquela população, que em quase 12 anos não foram capazes de resolver.

E o saneamento da Carvoeira? Passaram 10 anos, mais coisa menos coisa, sobre o inicio da obra, e de trapalhada em trapalhada, incompetência em incompetência, do dinheiro gasto, nada serve à população.

Na trapalhada da APIN e a indiferença demonstrada para com os reais interesses das pessoas… é gritante…

Passaram 12 anos e o que sobra além de propaganda e de iniciativas que se esgotam nelas próprias, é muito escasso para quem teve mais recursos à sua disposição do que qualquer executivo Municipal alguma vez teve.

É tempo dos penacovenses olharem friamente para a sua realidade, observarem o que os concelhos nossos vizinhos têm feito em matéria de desenvolvimento a sério e criação de riqueza a sério, e refletirem se vale a pena insistir no apoio a quem tem feito tão pouco pelo nosso futuro colectivo.

Mauro Carpinteiro

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