Penacovenses pelo país e pelo mundo: Luís Pais Amante, advogado, empresário e poeta, com Penacova (sempre) no Coração

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O GRUPO PLACE, existente enquanto tal desde 1994, “tem como missão contribuir para o desenvolvimento económico e social do país, através do exercício das atividades de Planeamento e Consultoria Económica, Ciclo de Formação Profissional, Consultoria, Gestão e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Cedência e Formação de Trabalhadores Temporários.” [do texto da Missão institucional do Grupo] As suas áreas de negócio, com atuação no território nacional e com atividade transnacional sediada em São Tomé e Príncipe, são a gestão pública, a gestão empresarial, a formação profissional, os projetos internacionais, o trabalho temporário, o outsourcing de Recursos de Humanos e a Saúde e Apoio Domiciliário.

Dinamizar, transformar e inovar, são os conceitos de entrada na apresentação da identidade do grupo. Percebe-se que se trata de um ponto de chegada de um percurso consistente e consolidado, que foi integrando novos agentes, sensibilidades e saberes. Intui-se que cada objetivo alcançado representa sempre um novo ponto de partido, no ensejo de fortalecer a proposta a apresentar, para fazer dela uma resposta mais adequada a um mercado em mutação constante. O grupo alia o pragmatismo da ação, o saber empírico, ao estudo aprofundado, com parcerias com o mundo universitário. Esta conjugação fundamenta as soluções existentes e suscitará a exploração de caminhos diferentes.

É da tensão entre oferecer novas respostas às necessidades do Mercado e antecipar, na medida do possível, aquelas que irão ser as questões do futuro que o GRUPO PLACE alimenta o seu dinamismo. Ir “além das concetualizações e abordagens tradicionais” resume o mote da sua vitalidade dinâmica.

O GRUPO PLACE norteia a sua ação por um código ético de pendor humanista, dignificando parcerias e certificações e centrando no cliente o foco de toda a atividade.

Com esta ‘presença’ no Penacova Actual, estará seguramente ‘fisicamente’ [ainda] mais próximo do território do concelho de Penacova, berço do fundador do GRUPO, a quem damos a primazia de fechar o ano de 2020 com uma entrevista mais do que merecia, por se tratar de um penacovense convicto, atento ao pulsar da sua terra, que muito tem contribuído para o engrandecimento do seu “torrão natal” e a quem prestamos a justa e devida homenagem.

 

Penacova ActualComo se sente enquanto penacovense, residente fora de Penacova?

Luís Amante – Eu tenho a noção que não sou bem “um penacovense residente fora de Penacova”.

Aliás, a minha mulher e eu, temos como residência oficial a Casa Azul, desde que a adquirimos em Dezembro de 2018!

Fizemos essa opção porque pela via dos nossos impostos (que são um horror) ajudamos, de facto, a nossa terra já que parte deles integram as receitas do orçamento municipal!

Enquanto algumas pessoas pensam Penacova deixando os seus impostos fora, nós somos um pouco ao contrário: quanto mais para Penacova, melhor.

PAEstudou em Penacova, mas não ficou pelo teu “torrão” natal! Conte-nos sobre o seu percurso académico, designadamente aquele o trouxe até aos dias de hoje?

LA – Em Penacova eu e o meu futuro ficámos marcados quando em 1969 (tinha 15 anos) decidi apoiar/fazer oposição ao regime, nas ações do MDP/CDE. Conjuntamente com outras pessoas que continuo a prezar, sem apoiar totalmente o percurso político que vieram a prosseguir nalguns casos (José Amaral, Jorge Ilharco, Artur Amaral, Artur Subtil, Artur Coimbra, Paulo Amaral, Quim Manuel Leitão, António Simões, Manuel Feio, Carvalho Araújo, Luís Menezes, Tó Ralha, Tomé, Manuel Ribeiro, Amável Ferreira, Sarróia, Joca Pimentel, etc).

Fiz o antigo 7º ano no Liceu D. Duarte e comecei a aproximar-me de outras forças/pensamentos políticos que me atraíram; daí a resolver ir para Lisboa foi um pulo, para mágoa dos meus Pais: estar em Lisboa ou em França, naquele tempo era quase o mesmo.

O saudoso Dec Motta, que vinha clandestinamente jantar a nossa casa e deliciar-se com a chanfana da minha mãe Zélia, augurava-me futuro político e estive para ser candidato a deputado por Coimbra logo nas primeiras eleições do Portugal livre.

Fiz a licenciatura em Direito, para cuja Universidade Clássica entrei em 1973;

Fiz o post-graduação em Estudos Europeus (Variante de Economia) na Faculdade de Direito de Coimbra;

Fiz o curso de Gestão Avançada para Quadros Jovens Gestores no ISCTE;

Fiz especialização em técnicas de negociação na Universidade Complutense de Madrid;

Fiz especialização em gestão empresarial estratégica no MCE, Bélgica.

… e uma infindável formação profissional adaptada à minha carreira profissional nas empresas públicas em que trabalhei.

Sem falsas modéstias sou dos poucos gestores portugueses nomeados no International Who’s Who of Professionals.

PAEm 1994 criou a PLACE, um grupo empresarial dedicado ao apoio do setor empresarial do país e com referências noutros países, designadamente em países língua oficial portuguesa com quem o Grupo tem mantido estreitas relações. Como classifica a evolução da PLACE até aos dias de hoje e como prevê que seja o seu desempenho futuro?

LA – A Place, empresa mãe do Grupo foi adquirida em 1993, por mim, pelo Prof. António Martins, nosso ilustre conterrâneo, pelo Villalobos Filipe (militar de Abril) e pela Lina Branco, Directora do Cecôa.

O Grupo Place é, indiscutivelmente, uma referência na consultoria portuguesa e tem sido uma escola para muitos e bons profissionais deste País, muitos mais do que se sabe com origem em Penacova.

O seu êxito resulta do facto de se manter à tona de água, enquanto a sua concorrência directa foi fechando, fechando, fechando. Eu optei por não vender a Place (tendo tido imensas ofertas de compra) e, numa óptica de dar possibilidade aos meus Filhos (Filipe e Carolina) -que lá começaram a trabalhar com 17 anos cada, como “paquetes”- fui adquirindo as participações que há já algum tempo são só da Família (Filhos, Irmã Rosa, cunhado Fernando e sobrinha Dina, incluídos).

Para te falar de evolução basta dizer que a Place é saudável financeiramente e dona de tudo o que são instalações e meios.

Sinceramente, acho que vai ser levada a bom porto pelos meus filhos (quem sabe pelos meus sobrinhos) e que vai sobrar para os netos.

O segredo do sucesso é muito trabalho e dedicação e é só ensinar responsabilidade, responsabilidade, com humildade e honestidade perante todos e todas as situações e com verticalidade, ética e humanidade!

PAConsidera que em Penacova existe gente valor, capaz de contribuir para o seu desenvolvimento, sobretudo numa altura em que cada vez mais se debate a importância dos territórios de baixa densidade e na necessidade de os dotar de infraestruturas capazes de contrariar o seu quase (inevitável) esvaziamento, designadamente a nível populacional?

É claro que sim! Eu fico espantado com a “massa crítica” da Juventude de Penacova, seja no sacerdócio, na ciência, na política, nos cargos de gestão, nas artes, nos projectos, etc.

A história da interioridade é só uma maneira que os “prosas” de Lisboa arranjaram para nos chamar “pacóvios” e nós do interior, temos ido nesse engodo.

Os direitos constitucionais são iguais para o Luís Amante, Advogado em Lisboa e para o Luís Amante, Poeta de Penacova.

As nossas gentes têm que ser ensinadas na reivindicação, num País em que “quem não chora, não mama”!

Mas subsiste na nossa terra um problema endémico chamado “desunião” que é urgente ser resolvido.

Os nossos políticos têm que perceber que quando andam a gastar energias nos combates estéreis, não estão a contribuir positivamente para o desenvolvimento da nossa terra, da nossa matriz sócio-cultural, da nossa afirmação…

À questão concreta da “desertificação”, nos dias de hoje, eu respondo com uma receita de que ainda não ouvi falar: o Município que vá adquirindo as belas casas do concelho, que as recupere e que as vá metendo no mercado de arrendamento controlado, ou não, fixando e atraindo jovens casais.

O desenvolvimento faz-se com receitas orçamentais e essas só crescem com quem cá reside, não tanto com quem cá trabalha…embora fixar empresas de dimensão seja importante, talvez com a criação de um Parque Empresarial no triângulo Oliveira do Mondego, São Pedro d’Alva, Estrela d’Alva, aproveitando o potencial de desenvolvimento que os IP’S e os IC’S permitem. Parques pequenos não criam sinergias e provocam dispersão de meios.

Pensem nisso!

PATem uma forte ligação às associações de Penacova. Como encara o papel do associativismo no desenvolvimento e projeção do nome de Penacova e de que forma pensa continuar a contribuir para que elas prossigam o seu percurso?

Já escrevi sob Associativismo no Penacova Actual e seria perder tempo, agora, repetir quando as pessoas têm tudo disponível nos vossos arquivos.

O Associativismo é o contraponto da Sociedade Civil nas suas tomadas de posição perante as formas de organização do Estado e seus garrotes.

Sou adepto de um movimento associativo forte, participado e capaz!

Sou sócio dos Bombeiros, do Mocidade, do Sporting, do Divo Canto, dos Sons do Mondego…e da Confraria da Lampreia.

Direi sempre presente às solicitações, mas não gosto de me impor a ninguém.

Certo é que tenho ideias…como sabe.

Sobre o contributo das Associações na marca Penacova (sim, Penacova é uma marca e eu já afirmei isso mesmo -e expliquei- num fórum ligado ao Mondego, há uns anos) basta dizer que não existe vida social e cultural sem o contributo da tal sociedade civil organizada.

PAAté 2019 exerceu funções de Mordomo-Mor da Confraria da Lampreia de Penacova. Como encara o seu contributo para o reconhecimento de uma das mais conceituadas confrarias gastronómicas do nosso país e como antevê a sua importância no movimento confrádico?

Desculpará mas eu não analisarei o meu contributo/obrigação estatutária na Confraria da Lampreia. Isso deve ser feito por outros, nomeadamente, os Confrades e, também, pelo Município que está em condições de avaliar o que gastaria em marketing institucional, e assim poupou, nesses 3 anos.

Só direi que foram 3 anos de vida que eu e a minha mulher demos, graciosamente a Penacova, por amor a ela, sem contrapartidas e com notável esforço financeiro familiar.

A importância no movimento confrádico foi muito relevante, como toda a gente de bem diz, de norte a sul, sendo certo que tive oportunidade de ajudar pro bono outras Confrarias e a própria Federação, sempre que solicitado.

Quer parecer-me que isso não tinha acontecido antes; do mesmo modo que nunca nenhum Capítulo, até à data, se não estou enganado, tinha conseguido juntar numa terra qualquer deste País 62 Confrarias.

O futuro da nossa Confraria será o que a Direção quiser -e souber- sendo que não é justo fazer vaticínios ou avaliações definitivas em tempos desta natureza, antes ajudar a ultrapassar dificuldades.

Assim eles tenham enduro para receber contributos e a necessária resiliência.

PAComo empresário, conseguiu alcançar a notoriedade que todos conhecemos e reconhecemos, mas também se tem destacado em outras áreas, designadamente, na das letras, através da qual já publicou alguns livros de poesia. Tem no prelo mais alguma obra dedicada a esse género literário?

Sim, tenho 5 livros publicados, mais um que está a ser trabalhado pelo Prof. David, para ofertar ao Município e só com poemas dedicados a Penacova; mais um outro “Poesia e Pensamento…em Tempo de Inquietude” resultado do trabalho intelectual desenvolvido nos confinamentos; e o início de Contos que ainda está à deriva, sem rumo definido.

Também tenho sido, felizmente, muito solicitado para eventos de poesia, on line e fisicamente, destacando a nossa “Tertúlia de Poesia na Pérgola”; “Encontro de Poetas, Vale a Pena, em Tarouca” e “Colectivo de Poesia (Conversos) em Santa Cruz da Trapa”!

PAComo encara a construção de uma Casa das Artes em Penacova? Considera existir em Penacova cultura suficiente, que justifique a construção de um espaço que lhe seja dedicado?

LA – Sobre a “Casa da Cultura” e as oposições -e fricções- que tem suscitado, eu acho que, verdadeiramente, ninguém com bom senso pode estar contra.

Primeiro porque o tempo dessa discussão já passou; depois porque subsistindo projecto de financiamento aprovado, a desistência implicará a perda das verbas consignadas; finalmente porque Penacova tem de ganhar auto-estima, pugnar por ser relevante na sua região é isso não se compadece com “nivelamentos por baixo”!

Não podemos entrar na “história do ovo e da galinha” e de qual veio primeiro, quando se fala de cultura.

PAPensa vir fixar-se em Penacova, terra que ama incondicionalmente?

LA – Já respondi com a revelação de um segredo: estamos fixados em Penacova, recenseados e pagando impostos e investindo, como já se vê à distância pela exuberância que se encontrou para a recuperação da nossa Casa Azul; Temos Penacova e as suas gentes no nosso coração… e temos cá a nossa Família.

Mas habituei-me a ser um homem do mundo e, não é segredo nenhum, que sou advogado em prática forense, com escritório em Lisboa, onde também tenho casa.

Vou andando por onde andarem as pessoas que, para nós, são prioritárias no momento: os nossos netos André, Madalena, Martim, Teresinha, Margarida e Carminho (a caminho).

PA – A pandemia trouxe-nos sobressalto, alterou as nossas vidas, e obrigou-nos a repensar as nossas prioridades. Foi difícil para si ultrapassar este clima de incerteza, de ansiedade e de insatisfação?

LA – A pandemia, para mim, trouxe-me, sobretudo a preocupação diária da melhor gestão dos nossos Colaboradores e dos das Empresas a quem prestamos assessoria, que foram vivendo períodos dramáticos.

Depois disso alterou a minha vida e o meu dia a dia, com os confinamentos; …nós só damos valor às coisas quando as não temos…

Não quero dizer que, para mim, não foi difícil ultrapassar o clima de incerteza, estando, até, convencido que ele não acabou.

Também difícil foi ter, conjuntamente com a minha querida mulher (Ana), que dosear os momentos de acompanhamento dos nossos netos (que já são seis)!

Difícil, ainda, foi observar a economia do País -como antecipei no PA- a desmoronar-se, o que vai continuar por muito tempo, infelizmente.

PAPara o novo ano que agora começa, qual a mensagem que pretende deixar a todos aqueles que nos leem?

Aos leitores do Penacova Actual – que têm feito o favor de o lerem e de me lerem – eu quero desejar que 2021 venha a constituir-se como um ano em que seja possível ajudar a levantar os que caíram em 2020; em que os receios da amizade em comunhão terminem; em que as Famílias retomem o seu lugar privilegiado de núcleos essenciais ao desenvolvimento pessoal.

E quero agradecer, também, que ao Penacova Actual, aos seus Colaboradores e ao seu mentor, Pedro Viseu, acima de tudo, se deem as liberdades conscientes que todos exigimos/reivindicamos para nós próprios.

Isto é que é respeitar a democracia!

 

 

 

5 COMENTÁRIOS

  1. Estimado amigo Luís Amante
    De São Martinho do Porto vai um abraço de amizade desejando um bom ano de 2021 sem bicho.
    No que publica no Penacovactual, sou agora um leitor atento, como tenho também o previlegio de ter vários amigos Penaconvenses, começa a desperta em mim a olhar para Penacova de uma forma diferente, e, não somente de uma linda terra ao lado da IP3 e sobranceira ao Mondego.
    Louvo a sua atitude de voltar às origens, sinal de amor pelo seu berço, seus amigos e suas gentes. Não se vai arrepender o Luís merece e os Penaconvenses também.
    Um abraço de amizade
    Joselourodacosta

  2. Luís, vc é um homem de múltiplos sonhos
    e se dedica inteiramente a realizá-los, guiado por princípios nobres.
    Todos esses sonhos carregam em comum
    o desejo de contribuir para um mundo melhor, seja em Penacova ou qualquer outro lugar.
    É um amor pela humanidade que começa no dia a dia com sua própria família onde vc
    une, troca afetos, brinca, cozinha, recita poemas, transmite valores, dá apoio e amor.
    Vc se orgulha de Penacova e Penacova se orgulha em tê-lo como filho.
    E nós nos orgulhamos de tê-lo como amigo
    muito querido.
    Vc é um exemplo de pessoa sensível e um motivador de mudanças.
    Parabéns pela sua longa e produtiva trajetória.

  3. Parabéns Dr Luis pelo reconhecimento do seu trabalho e percurso.

    Gostaria de saber o que pensa sobre uma eventual Regionalização do País, tema que de tempos a tempos é falado mas que até à data disso não passa, um tema que de tempos a tempos vem a lume.

  4. Olá Dr. Luís Amante, como colaborador da Place, e já muitos anos de casa (mais de 20), acompanhei muitos dos factos referidos neste artigo, é com orgulho e dedicação que continuo a participar neste projeto, procurando que está empresa não só cresça, mas que venha a ser imortal. Gostei de ler também a parte mais pessoal da entrevista, recordando alguns episódios e tomando conhecimento de conhecimentos que me eram menos conhecidos, um grande abraço e muitas felicidades, Mário Lopes

  5. Amigo comum, cuja saudosa memória não posso deixar de aqui invocar, proporcionou-me o encontro com o Luís Amante, há cerca de 15 anos. Eles, beirões, eu, lisboeta, unia-nos o gosto pela boa mesa (particularmente a lampreia…), sintonia de preocupações políticas e o Direito como formação académica de base.
    E foi pela via do Direito que se desenvolveu e ampliou o nosso relacionamento pessoal, que culminou com uma colaboração efectiva quer no seu grupo empresarial quer no âmbito da sua actividade de advocacia.
    Anos enriquecedores, a nível pessoal e a nível profissional. de agradável convívio também com os seus colaboradores mais próximos e, até, com a sua família, que permitiram aperceber-me melhor desta criatura multifacetada que me honra com a sua amizade e que, com alguma surpresa minha, se me revelou também com apreciáveis dotes literários.
    Amigo do seu amigo, rigoroso e exigente a nível profissional, com os outros e consigo próprio, não é difícil de compreender a projecção empresarial e profissional de que, justamente, disfruta. E que se deseja se mantenha por muitos anos.

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