Vinharia do Mondego: Lampreia e companhia

Esta é sem dúvida uma das melhores alturas do ano para conhecer a gastronomia de Penacova. Falo, claro, daquele que é para mim o ex libris da nossa região, a lampreia.

Um prato de extremos. Ou se odeia ou se adora. Muitos dos que não gostam nunca chegaram sequer a provar, muito por causa da morfologia do ciclóstomo em questão. Como a partir de Maio a lampreia entra na fase da desova e deixa de ser boa para comer, os apreciadores que não tenham a oportunidade de a provar na época, passam o resto do ano a resmungar até que a próxima época chegue, para que possam então banquetear-se em torno de uma travessa… ou duas.

Há várias formas de a preparar, mas obviamente que o destaque vai para o Arroz de Lampreia. Esta confeção é muito semelhante à de um arroz de cabidela, em que o sangue da proteína a ser cozinhada se junta ao vinho tinto numa combinação clássica da gastronomia portuguesa.

Para este prato há uma harmonização, também ela clássica: vinho tinto da região dos vinhos verdes. Sem dúvida que acompanhar lampreia com um Vinhão bebido da malga enquanto os dentes ficam tingidos é ótimo, mas deixemos isso para os minhotos.

A minha sugestão também não é nenhuma novidade, mas é aquela que me enche as medidas e que eleva a experiência a outro patamar: espumante tinto, da Bairrada claro! Não é necessário estar com muitas complicações na escolha do néctar. Uma garrafa de Aliança Tinto Bruto é o suficiente para deixar qualquer comensal feliz, por mais exigente que seja.

Não deixe de apoiar os restaurantes regionais e encomende para comer em casa com a família.  Há quem as entregue já amanhadas e prontas a cozinhar!

Ricardo Ferreira

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