Ilustres (des)conhecidos: Saudade Cordeiro dos Santos (1939-2015)

Saudade Cordeiro dos Santos nasceu em São Pedro de Alva no dia 15 de Fevereiro de 1939.

Aqui viveu durante os primeiros anos da sua vida. Entretanto, quando ainda era muito jovem, acompanhou os pais na sua ida para o concelho de Sintra, zona do Linhó.

Desde muito cedo revelou a paixão pela poesia e aos 13 anos já evidenciava a sua veia poética.

Saudade dos Santos, ao longo da sua vida haveria de escrever muitos poemas para fado, alguns deles por si interpretados e gravados em disco, e muitos outros dados a fadistas que lhos solicitavam.

Conta-se que por  brincadeira começou a trautear fados da Amália Rodrigues, acompanhada à flauta pelo pai. Uma vez em Lisboa, esta sensibilidade levou-a a conhecer melhor o mundo do Fado, os seus intérpretes e os seus poemas, e a começar a cantar para os amigos, que encantados com os seus dons artísticos a incentivaram a prosseguir.

Aos 17 anos começou a trabalhar num escritório de advogados em Lisboa e sempre que possível frequentava casas de fado da Lisboa de então.

Em 1957 num concurso de fados organizado no Café Luso, uma das mais antigas casas de fado de Lisboa, foi eleita “Rainha das Cantadeiras”.

Participou na revista “Lisboa Antiga”, no extinto Teatro Monumental e, em 1964, participou no filme “Canção da saudade”, de Henrique Campos. Nesse mesmo ano o seu álbum de Natal, com Manuel Fernandes, recebeu um prémio da crítica norte-americana.

Saudade dos Santos foi a criadora de vários êxitos do mundo do fado, entre eles “Ó meu amor, marinheiro”.

Em 1957 participou num concurso organizado pelo jornal ‘Vozes de Portugal’, intitulado ‘Rainha do Fado’, que venceu. O prémio foi uma viagem de um mês a Moçambique.

Regressou a Lisboa e atuou em várias casas de fado, entre elas a “Tágide” que, à época, era a melhor e mais bem frequentada ‘boîte’ de Lisboa, onde atuavam os melhores artistas nacionais e estrangeiros. Por último foi contratada pelo restaurante típico “Severa”,  no Bairro Alto.

Começou a ser presença assídua na RTP, na Emissora Nacional e noutras rádios. Teve também frequentes actuações em diversos casinos do país.

Em 1963, Vasco Morgado convidou-a para fazer parte do elenco da revista “Lisboa à noite” que envolvia também António Silva, Raul Solnado e Humberto Madeira.

Participou ainda na comédia “Uma noiva caída do céu”, com Humberto Madeira e Ribeirinho.

Na opinião de Vítor Duarte Marceneiro, neto de Alfredo Marceneiro, “Saudade dos Santos tinha  uma voz melodiosa que nos seduzia,  aliada à sua bonita figura e simpatia pessoal. Foi considerada por muitos admiradores e colegas uma das caras mais bonitas do fado de então”.

No ponto mais alto da sua popularidade, casou com o empresário discográfico Emílio Mateus.

Abandonou a vida artística aquando da primeira gravidez, dedicando-se exclusivamente à família.

Saudade dos Santos tencionava publicar a sua obra completa de poesia,

quando faleceu na sua residência, em Lisboa, a 23 de Janeiro de 2015.

David Gonçalves de Almeida

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