O presidente da Câmara de Viseu disse ontem ter sido alertado pela Infraestruturas de Portugal (IP) de que o Itinerário Principal 3 (IP3) estará cortado em fevereiro, em Penacova, e que as empreitadas em falta vão a concurso no final de 2022.

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“O que realçámos foi a frontalidade e a clareza com que foi colocada [a informação]. Vamos ter três semanas, no mínimo, na altura de fevereiro – conseguiu-se preservar o Natal – de que aquele troço na zona da Livraria do Mondego estará interditado à circulação”, anunciou Fernando Ruas.

O autarca de Viseu falava aos jornalistas no final de uma reunião com o vice-presidente e com mais sete técnicos de diversas áreas da Infraestruturas de Portugal (IP).

“O que foi dito, espero não me enganar, é que a circulação de Coimbra para Viseu teria de ir à Estrada da Beira e depois retomar ao IP3 na zona de Mortágua. No sentido contrário, tem de se fazer a ligação pelo Luso, a antiga estrada que se fazia, até à zona da Mealhada”, especificou.

O corte em Penacova, distrito de Coimbra, junto à zona da Livraria do Mondego, surge “não para haver obra, mas apenas para consolidar os taludes”, disse Fernando Ruas.

O corte do IP3 foi “uma das surpresas negativas” desta reunião, disse Ruas, adiantando ter lhe sido anunciado que “há três empreitadas que estão em condições de serem projetadas” e, “se tudo correr bem, poderá ser lançada a obra no final do próximo ano”.

“Estão todos muito atrasados, mas de qualquer maneira falamos da ligação entre o IC2, na zona de Souselas, até à autoestrada, da zona entre a Lagoa Azul e Santa Comba [Dão], e Santa Comba [Dão] até Viseu”, precisou o autarca.

Fernando Ruas disse que os presidentes de Câmara presentes na reunião – dos concelhos que o IP3 atravessa e que pertencem à Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões (Viseu, Tondela e Santa Comba Dão) – estão “plenamente convencidos que de não haverá a ligação completa antes de 2026 se, por acaso, tudo correr normalmente”.

“Deixaram isso mais ou menos claro, por aquilo que eu vi e fomos dizendo em várias intervenções. E não foi minimamente contestado, nem foi dito ‘olhe que o prazo é menor’”, sustentou.

Outra notícia deixada pela IP é a de que “não há nada pensado para o IC12”, que liga Santa Comba Dão a Mangualde, cujo autarca também este presente.

E foi “dito, claramente, que do IC12 não há nenhuma evolução e que as coisas estão exatamente no ponto zero”.

Uma “surpresa negativa” para os autarcas presentes, afirmou Fernando Ruas, que defendiam o IC12 como “uma alternativa aquando das obras entre Santa Comba [Dão] e Viseu”, neste caso, no IP3.

A IP também explicou a razão para “não haver variante em Santa Comba Dão”, matéria que não convenceu Ruas.

[A razão] “é baseada numa declaração de impacto ambiental que preconiza que, eventualmente, haja colisão com umas termas na zona de Santa Comba [Dão]”.

“Nós prezamos muito as zonas termais, mesmo não sendo conhecidas essas termas de Santa Comba [Dão]. Somos das CIM com mais termas, portanto, somos favoráveis à preservação de termas, mas, com um diabo, naquele corredor vastíssimo haveria de se encontrar uma solução que não colidisse com a evolução de uma âncora de desenvolvimento como são as termas”, reagiu, lembrando a morte de 14 pessoas da freguesia de Rio de Loba, aquando da queda de um autocarro, em 2001.

Perante estas notícias, Fernando Ruas mostrou-se “satisfeito” por a IP ter a iniciativa de se deslocar a Viseu para “dizer o que se estava a passar”.

“É uma empresa que tem responsabilidades técnicas e não são quem tem as responsabilidades políticas. Não me agradou esta reunião pelos resultados que trouxe, sobretudo quando é anunciado depois destes tempos de tanto sacrifício que fizemos, com cortes sucessivos na estrada, ainda saber que vai haver um período de, pelo menos, três semanas, que não teremos nenhuma hipótese de ligação. Não é ligação alternada, é mesmo o encerramento da ligação entre Viseu e Coimbra”, concluiu.

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