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Saudade Lopes

Num destes dias cinzentos e depois de umas centenas de kms em passeio com familiares e amigos, algures por aí, numa airosa vila, e no final do dia, fiquei em silêncio ao procurar dentro de mim a razão de estar ali naquele espaço, naquele lugar, naquele dia ao som de músicas alusivas à época.

Luzes, montras, prendas, numa rua movimentada, onde passavam caras de amargura cobertas com uma máscara que lhes escondia a face, e que os olhos em vez de cintilarem o brilho da alegria, apenas mostravam o fusco das indecisões daqueles momentos que eram únicos na vida dum ser humano.

Sim! Mas era Natal, não havia dúvidas, todo o exterior me invadiu com esta certeza e clareza. Havia algumas gentes de sacos com prendas, a saírem das lojas em direcção à grande árvore iluminada apelativa às crianças que para ela corriam, talvez prendas compensadoras de momentos perdidos, talvez por excesso de egoísmo ou falta de humanismo.

Sim! Mas era mesmo Natal! Do outro lado da rua, uma companhia de teatro com um maravilhoso espectáculo, e que de todas as pessoas figurativas daquele presépio “Vivo” a que mais se destacava era a figura de S. José, que clamava a sua essência de pai num mundo que o queria negar. Um ator ainda muito jovem, que procurava com toda a sua garra e os seus meios amar e proteger aquele ” Menino” desprotegido dum mundo esvaziado de bom senso, ou até de decisões que lhe projetassem liberdade. Um protetor, a procurar um destino, um daqueles destinos que oferecem aconchego, um lar, um teto, um abrigo e quem sabe se apenas uma mesa e um banco num local onde pudesse servir aquelas poucas horas, aqueles minutos únicos num amor incondicional da sua existência. Um abrir de braços com toda a sua energia para poder desfrutar duns primeiros passos daquela criança a quem Deus lhe confiou.

Nesta mistura de tudo, do seu profissionalismo aos seus sentimentos mendigava o amor a que tinha direito, e naquela praça, naquele período de encenação, a vida se transformava num verdadeiro Natal com confiança e esperança.

Foi extraordinário e desafiador para quantos os que assistiam àquela encenação. São os tempos de hoje e foram os de ontem, um grito de persistência para os mais distraídos e para uma sociedade que teima em não valorizar esta” figura .”

Lembro que a Igreja através do Papa Francisco dedicou estes últimos 365 dias ao patrono das famílias, S. José.

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