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Helena Marques

Está-se a completar o tempo de preparação para as Festas Pascais que, no Mundo cristão, são as mais marcantes do Ano Litúrgico.

Desde o passado que acontecem, neste período variadas manifestações, umas penitenciais outras festivas. Todas elas são celebradas em Comunidade, com mais ou menos adesão e com a maior ou menor unção.

Na tradição popular há uma maior tendência a apreciar as que saem à rua, tal como as procissões. Elas permitem manifestações exteriores que lhes são agradáveis: ruas engalanadas, chão atapetado de flores e plantas aromáticas e coloridas, colchas de seda ou rendadas pendendo das janelas, gente da terra e visitantes que, por vezes nem participa, mas assiste para apreciar a banda da música, os bombeiros alinhados e de capacetes reluzentes, os irmãos das Confrarias com suas opas coloridas e impecáveis, os “anjinhos” que desfilam na sua inocência, os (as) pagadores de promessas e…as toilletes das senhoras que desfilam com seu ar compenetrado…

Na frente, segue o guião que orienta o percurso do desfile e segue a compasso da música.

Estas celebrações ainda acontecem, mas já não com tanta euforia nem tanta frequência.

Estamos em tempo de as reviver!

Indo ao passado, passo a transcrever um poema de António Lopes Ribeiro, que tanta vez foi declamado/semi-cantado por João Villaret e que tem por título: “A procissão” É muito interessante como a descreve, levando-nos a assistir à passagem de uma procissão, quase como real. O modo como a declamava, indicava o próprio compasso. a que ela seguia.

Era assim:

Tocam os sinos na torre da Igreja
Há rosmaninho e alecrim, pelo chão
Na nossa aldeia que Deus a proteja
Vai passando a procissão

Mesmo na frente, marchando a compasso
De fardas novas vai o solidó
Quando o regente lhe acena com o braço
Logo o trombone faz pó pó pó pó pó

Vêm os bombeiros tão bem alinhados
Que se houver fogo vai tudo no fole
Levam ao ombro brilhantes machados
E os capacetes que brilham ao sol

Olha os irmãos da nossa Confraria
Muito solenes nas opas vermelhas
Ninguém supôs que na aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas

Ai que bonitos que vão os anjinhos
E com que cuidado os vestiram em casa
Um deles leva a coroa de espinhos
E o mais pequeno perdeu uma asa

Nas janelas as mães e as filhas
As colchas ricas verdadeiro troféu
E os lindos rostos por trás das mantilhas
Parecem anjos caídos do céu

Ai com o calor, o prior vai aflito
E o povo ajoelha ao passar o andor
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor

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