Chainho, em Penacova, fica no meio de uma encosta rodeada de eucaliptos e apenas com uma estrada para se entrar e sair. Um anel de estradas florestais deixa a aldeia mais descansada caso o fogo surja.

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Eduardo Santana, a morar há quase 40 anos naquela aldeia de Penacova, no distrito de Coimbra, ainda se lembra de onde vinham os incêndios e lembra-se de um, há uns 30 anos, que “parecia o demónio” quando ali chegou.

“Vimo-nos aflitos para apagar o incêndio aqui”, recordou à agência Lusa o reformado, que também foi bombeiro.

Eduardo está sentado num pequeno muro e ao longe ouvem-se os trabalhos das máquinas pesadas que andam a fazer um anel de segurança, com caminhos florestais que permitam a circulação dos bombeiros à volta daquela aldeia.

Os trabalhos inserem-se no projeto Condomínio de Aldeia, lançado pelo Governo, que procura tornar localidades com grande risco de incêndio mais resilientes e preparadas para o caso de o fogo surgir.

“É muito importante estar protegido. Ainda há uns tempos tinha dito: ‘Deus nos livre que um incêndio pegue um dia destes por estes lados’. Agora já podemos estar mais descansados”, comentou Eduardo, um dos 20 a 30 habitantes que moram naquela aldeia, situada a cinco minutos de Penacova, mas que tem apenas um acesso, pelo meio de uma encosta repleta de eucaliptos.

Eduardo Santana notou que, caso viesse um fogo para aquelas bandas, os bombeiros teriam ainda “a surpresa” de terem as bocas de incêndio sem funcionar e que agora ficarão arranjadas.

“Isto dá outra segurança”, frisou.

Os trabalhos naquela aldeia começaram em fevereiro e deverão estar concluídos bem antes da data-limite (dezembro), explicou Tânia Antunes, técnica superior da Associação Desenvolvimento Regional Da Serra Do Açor (ADESA), que colabora com a Câmara de Penacova na execução deste projeto.

Para além de um anel de segurança em torno da aldeia, com acessos florestais, e da recuperação das bocas de incêndio, o projeto prevê ainda o corte de infestantes e outras árvores, como os eucaliptos, nos 100 metros em redor da localidade, com a autarquia a ceder depois os meios para o arranque dos cepos.

No seu lugar, serão plantadas árvores autóctones mais resistentes à passagem do fogo.

Também será criado um parque de resíduos agroflorestais, com um biotriturador que permite evitar queimadas e cria estilhaços que poderão fazer as vezes do estrume nas terras cultivadas da aldeia, salientou Tânia Antunes, apontando ainda para a criação de um ‘kit’ de ataque inicial às chamas.

A última etapa do projeto será a formação da população para o uso desse ‘kit’ e do parque de resíduos.

“A aldeia do Chainho, pela encosta onde se situa, tem um elevado risco de incêndio, com uma mancha florestal muito grande, sobretudo eucalipto”, notou o presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, sublinhando que a intervenção vai tornar a localidade mais resiliente em contexto de incêndio.

Para a segunda fase do Condomínio de Aldeia, cujo prazo de candidaturas terminou no dia 15, a Câmara de Penacova e a Junta de Freguesia de Penacova candidataram mais duas localidades –  a vila do Lorvão e a aldeia do Belfeiro, respetivamente.

“Este novo executivo entrou em funções e uma das medidas prioritárias é aumentar a proteção destes aglomerados, que vivem rodeados de mancha florestal. Estamos também a avançar com o programa ‘Aldeias Seguras, Pessoas Seguras’, que não existia no concelho”, frisou Álvaro Coimbra, apontando ainda para um trabalho nos últimos anos na rede viária florestal, que já permite aos bombeiros, em caso de incêndio, “entrarem em vários pontos do território”.

Sobre o futuro, o autarca admitiu que o trabalho em torno da floresta “é muito complicado” e a transformação do panorama da floresta no concelho é algo que demorará “anos ou décadas”.

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