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Mais uma vez fui “beber”, nos escritos de Manuel do Freixo, meu Tio, Padre Manuel Marques, que usava esse pseudónimo para identificar os textos que publicava no Notícias de Penacova sob o título “Casos e Coisas”.

Ele era muito interessado na história, lendas e tradições destas terras do nosso Concelho de Penacova que o viram nascer e onde missionou parte da sua vida.

Tinha por costume ir apreciar a paisagem do alto do Mirante Emídio da Silva. Numa das suas contemplações, seus olhos se fixaram nas ínsuas de Vila Nova, terras frescas e verdejantes à beira do Mondego.

Pelo que se ouvia dizer, essas terras dos “Campos de Vila Nova” eram conhecidas por “Campo de Santo Aleixo”. A razão desse título é que ele tentou descobrir e foi uma tal senhora Alexandrina da Conceição que, na altura, lhe explicou a razão desse título.

Conta a lenda ou memória tradicional, que nessa zona existia, à beira do caminho, uma pequena ermida ou nicho onde se venerava a imagem de Santo Aleixo.

Aconteceu, numa das cheias do Mondego, que as suas águas arrancaram e arrastaram rio abaixo a pequena ermida e com ela o Santo Aleixo.

Por sorte, perto da Carvoeira, uns barqueiros que por ali estavam, deram conta daquela imagem a boiar e, cuidadosamente, içaram-na para dentro de um barco e transportaram-na com respeito e reverência para fora de água e conduziram-na para a capela daquele lugar. Colocaram-na, segundo reza a tradição, à direita de São Sebastião que é o Padroeiro da terra.

Meu Tio visitou o lugar e descreve a imagem de Santo Aleixo, como tendo barbas compridas, uma capa e túnica, um bordão e um rosário na sua mão direita e um livro na mão esquerda.

Já questionei se essa imagem ainda lá está na capela da Carvoeira e fui informada de que sim.

Certo é que, embora já não exista a ermidinha nas terras de Vila Nova, nem a imagem de Santo Aleixo, a verdade é que o nome de Campo de Santo Aleixo ficou ligado àquele lugar.

Aqui deixo esta lenda, para memória futura e que vim agora avivar, sendo que só a conheci, porque alguém se importou de a descrever no Notícias de Penacova em 1954

É assim que vão vivendo estas memórias que enriquecem a nossa história local.

Fica um convite à visita à capela onde se venera Santo Aleixo e a tentar saber quem foi esse Santo.

Helena Marques

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